[Verse] No rio barrento, a linha cai devagar Latinha no gelo, só eu, sem pressa no olhar Sol de fim de tarde, fumaça subindo no ar Memória que pesa, mas eu não paro de remar Na margem, o silêncio fala mais que a cidade Velho barco balança, levando minha verdade No peito, a saudade é correnteza que bate Eu pesco lembrança, afogo o que não me cabe [Pre-Chorus] E a água leva o tempo, mistério e segredo No fundo do rio, o sentido do medo Mas eu volto pra margem, sempre que eu quero Com a lata na mão, eu me sinto inteiro [Chorus] Eu tô pescando a vida nesse rio barrento Com a lata gelada, afogando o lamento Refrão das ruas, melodia do tormento No balanço da onda, eu esqueço o sofrimento Eu tô pescando a vida nesse rio barrento Com a lata gelada, afogando o lamento Refrão das ruas, melodia do tormento No balanço da onda, eu esqueço o sofrimento [Verse] Cada gole é história que a garganta tenta engolir Raspa a voz, corta a dor, deixa o peito abrir No bagulho da noite, a cidade a se refletir No espelho do rio, o que a gente tenta fugir Não é fuga, é reencontro, com o que ficou Na água turva, o passado se resumiu Sento, escuto, a mente em loop, o tempo sumiu Mas a lata gelada é o que me mantém vivo [Pre-Chorus] E a água leva o tempo, mistério e segredo No fundo do rio, o sentido do medo Mas eu volto pra margem, sempre que eu quero Com a lata na mão, eu me sinto inteiro [Chorus] Eu tô pescando a vida nesse rio barrento Com a lata gelada, afogando o lamento Refrão das ruas, melodia do tormento No balanço da onda, eu esqueço o sofrimento Eu tô pescando a vida nesse rio barrento Com a lata gelada, afogando o lamento Refrão das ruas, melodia do tormento No balanço da onda, eu esqueço o sofrimento [Bridge] Rio leva, rio traz, o que ficou pra trás Na corrente eu viro sombra, me refaço em paz Lata vazia, alma cheia, caminho que refaz No silêncio do barrento, a voz que a rua faz [Chorus] Eu tô pescando a vida nesse rio barrento Com a lata gelada, afogando o lamento Refrão das ruas, melodia do tormento No balanço da onda, eu esqueço o sofrimento Eu tô pescando a vida nesse rio barrento Com a lata gelada, afogando o lamento Refrão das ruas, melodia do tormento No balanço da onda, eu esqueço o sofrimento [Outro] No rio barrento, eu me deixo levar Com a lata na mão, só eu e o luar.