[Verse 1] Eu vim da laje molhada, chĂŁo de sonho e dor MĂŁe costurando esperança no meio do vapor Na mesa pouco jantar, mas sobra fĂ© no olhar Cada esquina da quebrada me ensinou a levantar Vi o dia ficar pesado, vi cedo virar batalha Mas meu peito nĂŁo se cala quando a meta me trabalha Teu beijo vira motivo, meu sorriso vira plano No concreto nasce um jardim quando eu nĂŁo deixo o engano Tem menino com talento, tem menina com visĂŁo Tem futuro pedindo entrada na porta da contramĂŁo Eu carrego na cintura as lembranças do barraco E no bolso uns versos vivos, feito fogo sob o asfalto Se o mundo fecha a janela, eu faço brecha na mĂŁo Meu amor nĂŁo Ă© refĂșgio, Ă© combustĂvel e direção Porque amar na periferia Ă© escrever com cicatriz Ă sonhar de olho aberto pra fazer o bairro feliz [Pre-Chorus] Eu nĂŁo peço vida fĂĄcil Peço força pra voar Se a rua mede o impossĂvel Meu peito vai provar [Chorus] Sonho da periferia Sonho, sonho todo dia Sonho da periferia Meu amor vira poesia Sonho da periferia Se a queda vem, eu desafia Sonho da periferia Teu abraço Ă© minha guia [Verse 2] Te encontrei no meio do corre, no sufoco do ĂŽnibus Teu olhar tinha esse brilho de quem nĂŁo aceita o fim do sonho VocĂȘ fala de futuro como quem planta sem medo E eu me vejo no teu passo, mesmo quando o mundo Ă© cedo Tem parede descascada, mas tem arte na viela Tem cor na mĂŁo da criança, tem banda no som da janela Tem vĂł rezando baixinho pra blindar nosso caminho Tem amor que atravessa a noite sem perder o seu caminho Eu sei, nem todo dia Ă© brisa, nem toda dor sai no grito Mas o que a gente constrĂłi fica vivo, fica escrito Na carĂȘncia eu faço casa, na saudade eu faço estrada Se o sistema nos aperta, nossa voz vira levada E quando o medo me chama, eu te chamo de volta Teu nome bate no peito, vira chave da revolta Porque eu nĂŁo quero migalha, eu quero cĂ©u na palma Quero abrir porta pra nĂłs sem pedir licença Ă alma [Bridge] Se a cidade nos empurra, eu vou de frente, eu vou Com a mĂŁo dada no destino, eu vou firme, eu vou Se tentarem nos calar, nossa histĂłria vai falar Periferia Ă© berço vivo, Ă© lugar de recomeçar [Chorus] Sonho da periferia Sonho, sonho todo dia Sonho da periferia Meu amor vira poesia Sonho da periferia Se a queda vem, eu desafia Sonho da periferia Teu abraço Ă© minha guia [Outro] Eu venho de onde o pouco vira inteiro De onde o peito aprende a ser verdadeiro E se o amanhĂŁ me chama no clarĂŁo Eu vou com vocĂȘ, levando o bairro no coração